Hoje acordei com o despertador do celular. Cancelei assim que o ouvi tocar e joguei o celular do lado do travesseiro, mas, ainda mesmo sem raciocinar direito, olhei de volta para ele enquanto tentava acordar, o peguei de volta e procurei o aplicativo do Facebook. Segundos. Estava eu lá, não tinha feito nada depois de acordar e simplesmente corri para a rede social procurando atualizações, novidades, mensagens, movimentação nas fan pages que administro e tudo mais.
Logo percebi que sou vítima desse modo de vida que se tornou tão comum e tão dependente de informação, interação e praticidade. Será que imaginávamos que esses hábitos se tornariam normais em tão pouco tempo? Estamos conectados 24 horas por dia, sem poupar nenhum segundo.
As lacunas do nosso dia são facilmente preenchidas com uma olhadinha no twitter, uma foto nova no instagram, um sms qualquer, uma atualização de status no facebook e tantos outros modos de interação proporcionado por essa era da informação. Ainda me atrevo a dizer mais: criamos lacunas inexistentes para utilizar todos esses recursos. Uma pausa entre uma atividade ou outra no trabalho, um lanche com os amigos, as compras do supermercado, a fila do caixa do banco que está grande, o trânsito que está parado... Tudo vira conteúdo.
É muito fácil se envolver com essa rotina. Os celulares e os diversos aparelhos móveis facilitam o turbilhão de conteúdo despejado na internet. Telefonar, por exemplo, é apenas mais uma função do celular, inibida por tantas outras que acabam se tornando mais amigas do bolso ($) e até mais práticas. São funções baseadas em micromensagens, respostas rápidas, e o envolvimento de texto, imagem e som. Telefonar? Deixa que a gente coloca como plano B.
Rotina de dedos em teclados miúdos dos aparelhos móveis, de olhos vidrados em telinhas cansativas e de trocentos pensamentos. Rotina do onde, quando, como e quem sendo exposto a todo momento, em qualquer lugar.
E a gente adora isso, está tudo ao nosso alcance, a hora que quisermos; está tudo ao nosso alcance a hora que estivermos.
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
