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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dose de cotidiano

Outro dia comum. Voltava do trabalho como todos os outros dias. Um ônibus, em seguida uma parada para esperar por outro, torcendo para chegar logo em casa. Essa era a impressão que eu tinha até descer do primeiro ônibus e caminhar para pegar o próximo. Atravesso a pista e me deparo com um jovem, muito sujo, com trajes velhos, deitado no banco do ponto de ônibus.

Sua fisionomia era cansada, talvez triste por estar ali, mas principalmente cansada. Seus olhos eram pequenos, como os de alguém que não faz a menor questão de estar de pé. Pelo estado de suas roupas, aquele jovem deveria estar na rua há muito tempo. Sim, lembro-me dele de outros dias, não naquele lugar. Nunca havia parado para observá-lo de verdade. Talvez porque nas outras vezes ele estivesse com uma feição mais alegre, aquele jeitinho malandro, desenrolado, pede uma moedinha aqui ou faz uma traquinagem ali...

Dessa vez ele me chamou a atenção. Seu olhar cansado me chamou a atenção. Um jeito indefeso ali escancarado. Estava todo encolhido. Talvez frio, talvez fome. Eu realmente achava que aquele garoto estava ali com fome, não é possível que aquele desânimo fosse somente cansaço.

Eu estava com uma sacola do supermercado quando avistei o garoto. Na sacola eu carregava um pacote de rosquinhas de chocolate.

Observei muito o garoto.

Aquelas rosquinhas estavam me matando: Minha mente e minhas pernas queriam me levar até ele. Entregar o pacote. Fiquei pensando durante minutos: ir ou não ir lá? Essas rosquinhas servirão mais à ele que à mim.

Um sentimento de medo falou mais alto naquele momento. Mas não era medo dele, era medo de sua reação. Talvez eu chegasse lá e recebesse em troca um sorriso, ou um gesto de timidez cobrindo um sentimento alegre, afinal, era comida, biscoitos... Crianças geralmente gostam de biscoitos. Mas e se eu fosse e levasse uma ‘patada’? E se ele não ficasse satisfeito e ignorasse minha ajuda? Ou simplesmente pedisse dinheiro para Deus sabe lá o quê?

Desse episódio trago a imensa sensação de incapacidade. Dormirei com um sentimento vergonhoso, daqueles que só quem poderia fazer e não fez sabe. Pensei demais, fiz pouco. Arriscar não seria problema. Um não eu já tinha, não me custava nada tentar o sim.

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