Faz tempo que não venho aqui. O que me trouxe dessa vez foi a recente notícia sobre a empresa que acabou 'ridicularizando' uma funcionária simplesmente por ela não ter alisado seus cabelos e assim, não ter ficado com uma aparência mais apresentável, como a referida empresa gostaria. Sim. Os padrões de beleza ditados pelas mídias e pelo consumismo vem fazendo a cabeça das pessoas. Pior que isso, vem fazendo pessoas se submeterem a situações desagradáveis para que, quem sabe, consigam atingir esse padrão.
Essa história de ser bonita ou bonito já passou há muito tempo daquela visão de que pessoa bonita é pessoa com caráter. Agora, a sociedade quer robôs homogeneizados, sem diferenças. Para as mulheres, placas invisíveis são colocadas em todos os lugares: "Por favor, corpo violão, bunda grande, seios fartos, cabelos lisos, se você for gostosa já estamos satisfeitos". Aos homens: "Solicito que tenham corpos sarados, barriga de tanquinho, braços musculosos e nem um pouquinho de cérebro".
Isso mexe com a autoestima de todos, da criança ao idoso. Não há como fugir das exigências de beleza, exigências que acabam excluindo pessoas e criam preconceitos. Imagina a que ponto chegamos: precisamos ser bonita o suficiente para entrar no mercado de trabalho. Para onde vai a competência e habilidade? Será que só isso não basta?
Os padrões participam das nossas vidas sem que ao menos percebamos, nós nos tornamos vítimas e ao mesmo tempo vilões. Quem nunca riu de alguém? Criticou o cabelo ou o modo de alguém se vestir? Pois é, somos afetados mas também afetamos. Nosso psicológico entra em curto circuito, falo isso como alguém que vivencia tudo isso por que além de vilã também sou vítima. Como outras inúmeras pessoas mundo à fora, tento me adequar aos padrões, por mais difícil que isso seja. Impulsiono todo esse ideal de beleza, seja me adequando a ele ou 'selecionando' pessoas.
O sentimento de querer ser 'espetacular' como os padrões de beleza ditam interferem nas relações sociais, seja em ambiente de trabalho, como no caso citado no início do texto, seja no desenvolvimento de amizades ou na construção de um relacionamento amoroso.
Acredito que todo esse desejo de beleza acabe deixando para trás a importância de pessoas virtuosas. Do que adianta beleza por fora sem conteúdo? Não adianta.
As pessoas mudam sua rotina se rendendo a esses padrões, não querem ser gordas ou magras demais, querem cabelos brilhosos e sedosos como os das propagandas, corpos bronzeados, barriga de tanquinho e franjinha "a lá colírios capricho".
É claro que beleza faz bem, se sentir bem consigo mesmo faz mais ainda, mas até onde será que esse desejo de perfeição não nos prejudica?
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
