Senhores,
Até quando pessoas precisarão morrer por falta de assistência médica nesta merda de país? Me desculpem a expressão, mas espero que ela possa representar um pouco da minha indignação.
A história já é velha, parece até que já nos acostumamos a isso. Serviço público de saúde decente é algo que provavelmente só iremos ver em nossos sonhos. A precariedade está presente em todo o país, mas hoje quero chamar atenção ao serviço alagoano de saúde. Sim, o nosso querido Hospital Geral do Estado de Alagoas! As pessoas são atendidas no corredor devido à superlotação, são medicadas no corredor, sofrem, gritam, choram no corredor. MORREM naquele maldito corredor. Até quando iremos achar que tudo isso está normal? Até quando iremos aceitar que os problemas existem e nos conformar, assistindo tudo do camarote?
Como sabemos, nem todas as pessoas têm condições de pegar um plano de saúde, que aliás, também vem deixando muito a desejar: é caro, o atendimento vem ficando cada vez pior, consultas são marcadas para datas cada vez mais distantes, mas, mesmo com esses problemas, nós, que temos um plano de saúde, estamos de qualquer forma assegurados no caso de emergências ou afins.
E essas pessoas que não podem adquirir um plano de saúde? E as pessoas com mais de 59 que precisam pagar uma FORTUNA para garantirem um atendimento decente? Como essas pessoas ficam?
A minha indignação já existia há muito tempo, mas nessa segunda feira, dia 1 de agosto, o problema chegou um pouco mais perto. Um amigo da família, sem plano de saúde, teve um infarto e foi encaminhado ao HGE. A situação estava realmente grave e ele, junto com outras centenas de pessoas, estava sendo ‘atendido’ no corredor do hospital. Ele estava em coma induzido e precisava ir para a UTI o mais rápido possível, já que no corredor ele não poderia ser tratado devidamente. Já estávamos tentando transferir-lo a outro hospital, também pelo SUS, algo muito difícil.
Na madrugada desta terça feira, dia 2, esse amigo da família MORREU. Eu poderia ter colocado um termo menos impactante, como faleceu, mas não colocarei. Será que se ele, assim como todos os outros que estavam na mesma situação e também MORRERAM, tivesse sido atendido da maneira adequada, com toda medicação, aparelhagem, avaliação e dedicação necessária, teria morrido nesta madrugada?
Até quando pessoas precisarão morrer por falta de assistência médica nesta merda de país?
Até quando precisaremos pagar por um serviço que deveria ser oferecido à população com gratuidade, aliás, gratuidade não, nós PAGAMOS OS MALDITOS IMPOSTOS, que em grande parte vão para o bolso dos porcos que estão no poder, que aliás, são colocados no poder por nós mesmos. É um ciclo de desrespeito.
Que Brasil é esse que diminui a taxa de miséria e não melhora os serviços BÁSICOS como saúde e educação? Do que adianta sair da miséria se não temos como dar assistência a essa população?
A copa do mundo vem aí né? E com ela vem a certeza de que ninguém vai comer, aprender ou SOBREVIVER se antes de investir na qualidade de vida (saúde, educação, segurança) investirmos nesses mega-eventos, que só irão beneficiar uma pequena parcela da população.
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
