Trabalho, colégio, faculdade, programas e deveres. Estamos no ônibus, mais uma viagem, mais histórias para contar. A história dessa vez tem como protagonistas aqueles que frequentemente sobem nos ônibus para pedir uma ajuda. Ajuda pra mãe, pro pai, pras crianças, pro irmão, pra tia, pra vó, pra eles...
A história se tornou tão freqüente que passou a ser normal a cada viagem pelo menos duas pessoas protagonizando esse papel. Sim, as coisas estão realmente difíceis, ou não. Como saber se aquelas pessoas estão ali realmente por necessidade? Como saber se fulano só está ali porque aquele é, provavelmente, o jeito mais fácil de conseguir dinheiro? Dinheiro pra qualquer coisa?
Em alguns dos casos podemos perceber certa sinceridade acompanhada de vergonha, que acaba no comovendo à contribuir. Mas e aqueles cheios de malandragem, forçando um sotaque, cheio de tatuagens, com cheiro de bebida e outras coisas mais? Quero deixar claro que não é preconceito, é só uma observação. Será que esses aí estão realmente precisando? Talvez até estejam, mas não duvido muito que aqueles trocados que ganham no decorrer do dia não cheguem ao ‘destino’ informado, talvez aquela história de “Tenho meus filhos em casa passando necessidade” nem exista e se existe é provável que continuem passando necessidade.
Na viagem, durante a história, ficamos em dúvida, ajudar ou não? Solidariedade é de fato algo muito bom, mas será que precisamos ser submetidos todas as vezes a ouvir os mesmos apelos e cada vez que ouvirmos ajudarmos? Esses apelos chegam a ser assédio, muitas vezes nos olham com cara feia e até mesmo nos ameaçam como se fosse nossa obrigação “ajudá-los”. Já ouvi diversas vezes comentários do tipo: “É, esse povo não dá nada não, o negócio mesmo é partir pra bala!”.
Esse é um problema muito maior e complexo do que qualquer observação que eu ou você possa fazer. O problema é a falta de emprego? Falta de estudo? Falta de oportunidade? Independente da causa, acredito que esse problema social não deveria se tornar uma responsabilidade nossa.
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
