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sábado, 3 de agosto de 2013

Por que não desistir do Jornalismo?

Minha relação com o Jornalismo é bastante conturbada, com problemas que já começam durante as aulas na faculdade. Alguns professores desmotivados, autoritários e retrógrados, somados à falta de estrutura do curso versus eu, sem motivação alguma, deixando a faculdade para o último caso.


Como já comentei em postagem anterior, o que me segura são as experiências e aprendizados que adquiro diariamente durante meu estágio em uma assessoria de comunicação. Como sempre digo, nas condições em que estamos na federal de Alagoas, um estudante que não estagia não saberá nunca agir diante de uma redação/assessoria, sairá da universidade totalmente despreparado.


Além do conhecimento adquirido, seja na produção de textos com escrita, gramática, lead, ou na comunicação geral, tenho a oportunidade de passar por muito mais coisas boas, como a sensação de dever cumprido com algum tipo de atividade realizada durante expediente, a produção de uma matéria com repercussão, novidades institucionais ou, até mesmo, histórias interessantes durante a apuração de informações para compôr a tal matéria.


O último item, de histórias interessantes, aconteceu nesta sexta-feira, durante minha viagem junto com a equipe da Diretoria de Comunicação onde trabalho. Sem querer, enquanto procurava por informações do mutirão, que estava sendo realizado em Santana do Ipanema, interior de Alagoas, avistei dois senhorezinhos, super simples, entregando documentos ao pessoal do atendimento para que pudessem participar do casamento coletivo que seria realizado no final daquele dia.


Na mesma hora me chamaram atenção e, como sou realmente curiosa, acabei pedindo licença para perguntar o que exatamente faziam ali, podia ser que eu estivesse enganada e coisa assim. Mas estavam ali realmente para casar. Conversando, soube que o seu Joaquim tinha 70 anos e dona Maria faria 70 no mês que vem e, o melhor de tudo, tinha 52 anos de casados!


A aparência me contava que era um casal simples, provavelmente viviam do sustento da roça em alguma parte mais rural do município, localizado no sertão do estado. Os dois tinham a expressão marcada pela ação do tempo e, provavelmente do sol, se é mesmo que eles viviam da roça, estou supondo.


Em pergunta à dona Maria do por que de estarem se casando depois de tanto tempo juntos, ela me responde que os 52 anos foram marcados, sim, por cerimônia religiosa, na igreja, mas durante todo o tempo não puderam casar no civil por dificuldades financeiras e de locomoção. Sobre como conseguir ficar juntos tanto tempo, ela me respondeu que o afeto é o responsável por estarem juntos até hoje, "É o amor, né não?", responde ela.


Seu Joaquim com aparência "marrenta", nos conta como aconteceu, casados desde setembro de 1959, quando pediu a atual esposa em casamento à seu pai, citando até quanto teve que pagar de dote, como acontecia na época. Nos disse ainda que a real receita para tanto tempo juntos é sim o amor e que o casamento civil só viria a aumentar mais ainda esse sentimento.


O que incomodava desde sempre seu Joaquim era o fato de, quando por algum motivo precisava de documentos, via sempre seu estado civil como solteiro, o que o entristecia; além de fazer questão de dar algum tipo de direito à sua esposa. "Mesmo assim nessa idade a gente se ama e eu não quero mais me ver como solteiro e sim casado, como sempre fui, e garantir os direitos dela, né?".


Enquanto ele nos explicava, de tão emocionado que estava em casar novamente, aquele homem "marrento" à nossa frente, começou a chorar e emocionou toda a equipe. Ela, do lado, não conseguia parar de sorrir, segurava-se para não chorar e, mesmo assim, tinha os olhos lacrimejados. Naquela hora, senti vergonha por estar escutando o depoimento e fazendo com que ela percebesse que eu também estava chorando, incontrolavelmente.


Estar 52 anos de casados com essa ingenuidade e sinceridade do sentimento abriu meus olhos para as coisas verdadeiras desse mundo tão vazio em que vivemos, e que nós ainda podemos dar um jeito à esses tropeços que tenhamos dado. Se não fosse o Jornalismo, talvez eu jamais tivesse presenciado tanta energia positiva como a que presenciei na sexta-feira, enquanto trabalhava. E assim eu tenho mais motivos para não desistir.


Ao sair, me despedi do casal, desejando felicidades. Logo, sorridente, dona Maria me respondeu: Para vosmicê também. Valeu o dia. Obrigada, seu Joaquim e dona Maria!




[caption id="attachment_1051" align="aligncenter" width="670"]Foto: Caio Loureiro Foto: Caio Loureiro[/caption]
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