Às vezes uma música fala melhor do que palavras soltas. Às vezes imagens mostram tudo o que se quer sentir. Encantar é difícil, mas quando se consegue o estado de espírito muda. Sensações das mais diversas causadas por um único unir de imagens e melodias.
O filme “Apenas Uma Vez” é algo para se sentir. Mistura os sentidos e transforma tudo numa única satisfação sinestésica. Com os olhos se vê, com os ouvidos se ouve, mas é com a alma que se sente. Os personagens são construídos aos poucos, tímidos, vão mostrando tudo o que são através de canções, ganham assim a nossa intimidade. A relação com o espectador já se tornou algo único.
As músicas são afagos, confortam, tiram a agonia de tudo que está em volta, o mundo realmente não importa mais, tudo que se quer saber e entender é o porquê daqueles simples personagens, sem nomes, com vidas simples e até que comuns podem atingir tanto aquele que assiste. Mas claro a vida é essa simplicidade e por isso podermos nos relacionar tanto, sempre achamos que vivemos algo ordinário, mas o simples viver já é algo fantástico. O cinema é fantástico. As sensações indescritíveis, mais absurdas e ridículas, mas tão necessárias. O cinema nos faz sentirmos vivos por que é capaz de tudo isso. E “Apenas Uma Vez” cumpre tudo o que é de mais belo na Sétima Arte.
Filme independente com cara de fim de tarde que alegra, conforta e até por isso fere. Não estava esperando sentir e me envolver nesse turbilhão de emoções. As músicas mexeram comigo, os personagens mexeram comigo, o filme mexeu comigo. Estava precisando me sentir vivo.
* Escrito por Hotton Machado
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
