O ano que se passou foi um ótimo ano para o cinema, grandes obras foram lançadas. E em pleno abril de 2012, já se pode ter uma ideia total de todos os interessantes filmes que foram lançados em 2011. E algo nota-se facilmente, ótimas películas não receberam a devida atenção que mereciam, especialmente pelo grande público freqüentador dos cinemas e, ainda, pela Academia, que por suas indicações ao Oscar tornam fervorosa a excitação do público quanto aos indicados. Então, há nesse post alguns dos subestimados e esquecidos filmes lançados ano passado, que apesar de serem ótimos não deslancharam nas bilheterias e maiores premiações.
· O perturbador britânico: “Precisamos Falar sobre Kevin”
“Precisamos Falar com Kevin” é daqueles filmes que ao fim deixam ofegante e interessantemente perturbado qualquer espectador, pode-se ter várias explicações para esses efeitos: a direção de Lynne Ramsay é soberba, ela sabe utilizar de ótimos planos para dar a veracidade do enredo e também para deixar com que o espectador experimente uma interessante dúvida; as incríveis atuações de Tilda Swinton e Ezra Miller são um show à parte, Tilda é uma mãe transtornada com um forte sentimento de culpa e Ezra é um confuso e irônico adolescente; além do roteiro que soube muito bem adaptar uma história real para as telonas. Quanto menos se souber sobre a história, mais surpreendente tornar-se-á o longa ao seu fim.
O filme teve uma boa aceitação dos críticos, recebendo nota 10 pelos Chicago Sun-Times e Los Angeles Times, mas isso não se transformou em uma grande bilheteria. O filme obteve $5.938.689 em bilheteria, mas foram gastos cerca de $7 milhões para realizá-lo. É um paradoxo, um filme tão incrível ter prejuízo, essa é a contradição do cinema.
· O surpreendentemente real: “Shame”
Alguns temas rendem melhores histórias do que outros, isso é óbvio, mas existe um tema que nunca foi tão bem abordado como em “Shame”. No cinema, falar sobre o vício em sexo sempre vem carregado com sátiras e com certas ironias, mas o diretor e roteirista Steve McQueen deu uma visão totalmente diferente sobre o assunto, focando na dor e frustração do personagem quanto ao vício e como tudo isso interfere negativamente em sua vida. A obra traz um realismo que amedronta, Steve McQueen é um dos grandes diretores da nova geração e suas obras cheias de sensações merecem maior atenção de todos.
O longa teve média de 7,8 em 41 críticas feitas, o que é uma nota muito alta, ele também teve bilheteria superior ao outro filme britânico aqui antes comentado, com $17.693.675 arrecadados, onde foram gastos aproximadamente $6,5 milhões para realizá-lo.
· O metafórico ficcional: “Melancolia”
O filme que mistura drama com ficção científica é arrebatador em todos os quesitos. Produção de primeira num roteiro que diversifica um pouco do estilo controverso do roteirista e diretor Lars von Trier. A estória que envolve as duas irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg), trata, até de um jeito romântico, a relação das duas e o medo de Claire e a aceitação de Justine quanto à passagem do planeta Melacholia, que sua órbita se cruza com a da Terra, podendo haver um possível impacto. Os personagens são muito bem construídos, sentimos seus sentimentos e decepções. É claro que o roteiro ajuda nesse aspecto, mas as atuações das protagonistas elevam nossas sensações quanto a esses complexos personagens. O planeta Melancholia, até de um jeito metafórico, parece ser algo além do inanimado, é uma personagem atuante em toda a sua forma.
Esse longa foi um dos adorados pelos críticos, recebendo média de 8,0 em 40 críticas feitas. Mais uma vez, isso não resultou em uma bilheteria expressiva, no filme foram gastos aproximadamente $9,4 milhões, mas só foram arrecadados exatos $15.946.321.
· A arrebatadora frieza: “Drive”
O filme de Nicolas Widing Refn foi um dos maiores renegados da história do Oscar, recebendo uma única indicação, essa ainda sendo em uma categoria técnica. Mas “Drive” é um típico filme que será lembrado por eras, ele tem todos os quesitos de um grande clássico: grande direção, grande roteiro, grande trilha-sonora e grandes atuações. O personagem de Ryan Gosling é incrivelmente bem construído; frio, solitário, calado e altamente inteligente, ele vê sua vida mudar quando encontra Irene (interpretada por Carey Mulligan) e, então, o espectador conhece a verdadeira face do protagonista desse filme que mistura ação com crime, mas que vai além do convencional. “Drive” por si já é único.
O longa teve a maior arrecadação dos citados no post, ele obteve $76.175.166 nas bilheterias de todo o mundo, onde foram gastos $15 milhões para produzi-lo. Sua média pela crítica foi de 7,9 em 40 críticas feitas.
· O incomum humor: “O Guarda”
Usar de uma comédia de estilo meio negro não é algo que agrada a todos, mas quando isso é feito de uma forma inteligente sem apelar para estereótipos merece respeito. O irlandês “O Guarda” não foge desse critério. Em uma época que se encontra tantas comédias clichês e altamente apelativas, algo não convencional que mistura um bom roteiro com uma boa direção é sempre bem-vindo. O personagem principal é um guarda preconceituoso, sem papas na língua e tão detestável que se torna incrivelmente engraçado e, porque não, amável. E sua forma de resolver o crime (tráfico de drogas) é o que deixa o filme interessante. Para quem gosta desse estilo, comum também em filmes como “Na Mira do Chefe”, esse longa é uma ótima pedida.
Esse filme de John Michael McDonagh teve boa arrecadação, não tão expressiva quanto merecia, mas boa, foram arrecadados $17.653.861 em um filme onde foram gastos $6 milhões. “O Guarda” teve boa média de crítica, 7,8 de média em 29 feitas.
· Os estrangeiros: “Tomboy”, “O Porto” e “A Pele que Habito”
Só para ressaltar e finalizar essa concepção de que atualmente bons filmes que receberam boas críticas não resultam necessariamente em boas bilheterias e repercussão em grandes prêmios fazendo que não sejam conhecidos por todos, assim há mais três bons filmes: o francês “Tomboy”, o franco-finlandês “O Porto” e o espanhol “A Pele que Habito”.
O primeiro teve média de 7,4 em 20 críticas feitas, mas nenhuma aparição em algum prêmio importante, além de que foram gastos cerca de um milhão de euros para apenas $129.834 arrecadados.
O segundo teve média de 8,2 em 26 críticas feitas e também nenhuma aparição em prêmios importantes, além de que foram gastos $5 milhões para apenas $10.498.657 arrecadados.
O terceiro é o que tem maior expressão por ser uma obra do já eterno Pedro Almodóvar, esse que foi uma de suas obras mais diferentes e surpreendentes teve apenas uma única indicação ao Globo de Ouro, além de que sua bilheteria não foi tão expressiva, foram gastos $13 milhões e arrecadados $30.842.353.
* Escrito por Hotton Machado







Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
