Em Maceió, no dia 26 de fevereiro, tivemos a famosa prévia carnavalesca, que convidou as pessoas para a folia durante todo o dia, com o bloco de frevo Pinto da madrugada pela manhã, acompanhado de outros pequenos blocos e, mais tarde, o bloco Pecinhas de Maceió.
A diversão é garantida para jovens, adultos, solteiros, comprometidos, para as tias, avós, pais, mães, filhos... Todos entram no espírito carnavalesco, vestem suas fantasias, suas roupas coloridas, seus enfeites, tudo que contribui para animar a festa. É gente que quer dançar, quer sorrir, quer paquerar, quer tomar umas, que quer descontrair. O problema é que nem todo mundo sai de casa com essa intenção. Ao contrário das pessoas que vão para curtir a festa, outras vão somente para estragá-la. Arrumar confusão, brigar, furtar, encomodar, amedrontar...
É incrível ver aqueles grupos de 6 ou mais pessoas, que andam procurando o lugar mais fácil para fazer o que querem e quem se prejudica são aqueles que estão lá para se divertir. Lembro agora do que meu padrasto disse no final da festa, quando estávamos voltando para casa: "No meu tempo, os garotos de juntavam para ir às festas para paquerar as mocinhas, tentar achar uma namoradinha... Beber alguma coisa e curtir a noite! Hoje não! Hoje eles juntam uma galerinha para ir brigar e fazer medo às outras pessoas. A gente anda com medo, porque em qualquer lugar existem essas pessoas, que estão dispostas a qualquer coisa!"
Ele falou isso comentando um determinado momento da festa, em que um grupo de pessoas começaram a se "matar" no meio da multidão. Pessoas corriam com medo em meio ao tumulto,o carrinho do ambulante virou com a correria e a briga em cima das pessoas, as famílias que estavam perto com suas crianças ficaram apavoradas.
De modo geral, essas cenas de terror acontecem em todo canto, as pessoas ficam com receio de sair de casa com suas famílias ou de deixar que seus filhos saiam de casa sozinhos com medo de que algo pior aconteça. Isso não é uma crítica à segurança pública, todos já sabemos o quanto falha ela é, aliás, eu não diria falha, diria insuficiente. É uma crítica a falta de liberdade que essa insegurança nos impõe, que nos tira o direito de ir e vir, que nos tira o sossego.
Sâmia Laços, estudante de Jornalismo apaixonada por decoração, design e tudo o que é capaz de levar inspiração às nossas rotinas.
